O planejamento de higienização das máquinas refletido em ganhos operacionais

 

*Por Fernando Caprioli


Há um jargão na indústria de alimentos e bebidas que diz que "no final do dia, o que paga a conta do fabricante é a sua produtividade". Sobretudo em um setor que convive com margens apertadas e desafiadoras, a frase é um lembrete importante para gestores e lideranças de olho na performance geral da fábrica e no cumprimento de metas de produção – afinal, é consenso que máquina parada representa prejuízo financeiro.

Na produção de alimentos e bebidas há uma série de processos que, se não realizados adequadamente ou no tempo ideal, podem levar à parada da produção. Um deles é o CIP (Clean in Place) – ou o processo de limpeza dos sistemas internos de máquinas de processamento e envase. Todo gestor sabe da importância desse procedimento para evitar incrustações e a multiplicação de microrganismos em equipamentos e tubulações. O ponto é que nem sempre esse processo acontece no tempo ou da forma adequada, sendo um fator contribuindo para achatar margens de lucro.

Ainda é bastante comum que fabricantes não saibam precisar a performance dos seus processos de CIP – o que pode ser bastante crítico, se levado em consideração que, em média, uma planta de alimentos e bebidas gasta 20% do seu tempo executando esse procedimento. Como resultado, muitos sistemas CIP apresentam um custo até 50% mais alto que o necessário de químicos e água.

A boa notícia é que atualmente é possível contar com sistemas digitalizados que otimizem o procedimento de CIP. Em linhas gerais, são sistemas que monitoram todo o processo e que de forma rápida e simples identificam potenciais pontos de melhoria, levando a tomadas de decisão assertivas e capazes de evitar perdas na indústria e paradas mais longas do que o necessário. Ou seja, ao otimizar um procedimento simples do dia a dia, fabricantes podem elevar o seu tempo de produção.

Assim como o procedimento de CIP deve ser analisado com atenção a fim de elevar a produtividade na indústria, também é preciso manter um olhar estratégico para o planejamento de COP (Clean Out of Place) – ou a limpeza das superfícies externas dos equipamentos de processamento e envase.

O primeiro passo para otimizar esse processo está na escolha dos produtos químicos aplicados. Ainda é bastante comum que fabricantes de alimentos e bebidas utilizem um mix de diferentes produtos para realizar o procedimento de COP, o que dificulta o controle do consumo de cada um deles. Utilizando um único químico eficiente o bastante para remover sujidades decorrentes até mesmo de processamentos mais complexos, fabricantes têm maior controle do processo de limpeza ao mesmo tempo em que eliminam custos operacionais desnecessários.

Por exemplo, no Brasil há fabricantes que reduziram em até 30% o seu custo anual com produtos de limpeza e em 40% o consumo de químicos após investirem em um único composto para a execução do COP.

Ao analisar de forma estratégica os procedimentos de CIP e COP, fabricantes encontram alternativas para elevar o tempo de operação das máquinas e, por consequência, o nível de produtividade da indústria, - sem contar os efeitos positivos destas melhorias para o meio ambiente, reduzindo os descartes de químicos e água.

Gestores querendo melhorar a eficiência operacional de unidades de produção também podem investir no treinamento de equipes e na implementação de tecnologias que facilitem a realização de intervenções para ajustes e manutenção em equipamentos e o monitoramento da performance das máquinas.

De forma geral, o importante é que gestores e equipes desenvolvam um olhar ampliado da produção, de forma que os times consigam enxergar oportunidades de melhorias em processos simples e rotineiros.  Além da implementação de ferramentas digitais para a resolução de problemas, a eficiência na indústria de alimentos e bebidas passa por técnicas de gestão que permitam identificar oportunidades de melhorias em procedimentos do dia a dia.

Fernando Caprioli é diretor de Serviços da Tetra Pak Brasil. O executivo acumula mais de 20 anos de experiência no setor de alimentos e bebidas, sempre trabalhando com tecnologias que melhorem a eficiência de fabricantes. Caprioli é formado em Engenharia Mecânica pela Unicamp, com MBA em General Management pelo Ibmec-SP.​