Uma embalagem cartonada asséptica é composta por várias camadas de materiais, cada uma com funções específicas. Isso inclui o papel-cartão, que serve como base da embalagem, e camadas de polímero que, entre outras funções, protegem contra a umidade externa.
A barreira tradicionalmente consiste em uma camada muito fina de folha de alumínio – mais fina, na verdade, que a espessura de um fio de cabelo. Como o nome sugere, essa camada desempenha um papel essencial ao impedir a entrada de luz e oxigênio. Isso é necessário para manter alimentos perecíveis seguros sem refrigeração por vários meses.
Atualmente, o papel-cartão já representa cerca de 70% dos materiais usados em nossas embalagens cartonadas assépticas. Além disso, os polímeros à base de plantas estão contribuindo cada vez mais para aumentar a participação de materiais renováveis de baixo carbono nessas embalagens. Embora as propriedades do alumínio proporcionem excelente proteção contra oxigênio e luz, estamos constantemente buscando formas de aprimorar ainda mais o desempenho ambiental de nossas soluções de embalagem. Desenvolver uma alternativa a essa camada usando outros materiais tem sido, portanto, uma prioridade.
Para maximizar o conteúdo de papel e materiais renováveis em nossas embalagens cartonadas assépticas, desenvolvemos uma solução de barreira à base de papel, capaz de substituir a tradicional camada de folha de alumínio.
A barreira à base de papel é um material inovador que consiste em uma camada protetora à base de papel com um revestimento metalizado ultrafino, de escala nanométrica. Junto às outras camadas da embalagem, ela protege contra o oxigênio, a luz, a umidade e as bactérias. Isso permite que a barreira à base de papel ofereça total segurança dos alimentos e um prazo de validade comparável ao das embalagens cartonadas assépticas tradicionais com barreira de folha de alumínio1. Ao fazer isso em conjunto com polímeros à base de plantas, a barreira à base de papel permite uma redução de até 43% na pegada de carbono da embalagem asséptica2 em comparação com embalagens cartonadas assépticas tradicionais com camada de folha de alumínio e polímeros de origem fóssil.
A Tetra Pak está em uma jornada para maximizar a participação do conteúdo de papel e simplificar a estrutura do material de embalagem de nossas soluções para embalagem e, assim, reduzir a pegada ambiental global de todas as embalagens de alimentos e bebidas produzidas. A barreira à base de papel traz várias vantagens de sustentabilidade importantes para as embalagens cartonadas assépticas. Mais recentemente, em dezembro de 2025, o primeiro uso dessa tecnologia com embalagens de suco ocorreu na Espanha e mostrou os seguintes resultados:
De acordo com testes internos e externos realizados com embalagens que utilizam a barreira à base de papel, a nova solução demonstrou ser tão compatível quanto as atuais embalagens cartonadas Tetra Brik® Aseptic nos fluxos de reciclagem existentes. Isso significa que as embalagens cartonadas assépticas com a barreira à base de papel podem ser coletadas, separadas e recicladas da mesma forma que outras embalagens cartonadas da Tetra Pak®, onde houver infraestrutura adequada e em escala para coleta, separação e reciclagem.
Ao simplificar a estrutura da embalagem, reduzindo de três para dois os materiais principais (papel e polímeros), a barreira à base de papel aumenta o conteúdo de papel da solução de embalagem. Isso representa uma oportunidade para as infraestruturas de reciclagem, nas quais a qualidade e a eficiência da recuperação de materiais são fundamentais. Especificamente, embalagens cartonadas com maior rendimento de papel são mais atraentes para as usinas de reciclagem.
A Tetra Pak está comprometida em investir no desenvolvimento de embalagens com estrutura de materiais simplificada e maior conteúdo renovável. Em comparação com as embalagens cartonadas assépticas tradicionais, as embalagens com barreira à base de papel aumentam o conteúdo de papel para aproximadamente 80%5.
Ao mesmo tempo, a embalagem ainda utiliza polímeros em sua estrutura, a fim de proteger o produto da umidade externa. Trabalhamos para maximizar o conteúdo renovável das nossas embalagens cartonadas, por exemplo, usando polímeros derivados da cana-de-açúcar nos revestimentos do material de embalagem. Ao combinar esses polímeros renováveis com a barreira à base de papel, é possível aumentar a proporção de materiais renováveis para 92%.
Acreditamos que esse tipo de solução de embalagem pode ajudar a indústria a enfrentar alguns dos desafios ambientais mais urgentes. Estes incluem o aquecimento global, as mudanças climáticas e o desperdício de alimentos, que estão entre as principais preocupações ambientais dos consumidores6. Por meio do desenvolvimento contínuo, nosso objetivo é aumentar ainda mais a participação dos materiais renováveis e reciclados e reduzir a pegada de carbono de nossas soluções de embalagem, ao mesmo tempo garantindo a segurança e a qualidade dos alimentos para melhorar o acesso global a eles.
A validação do conceito de barreira à base de papel se concentrou até agora em embalagens para produtos lácteos líquidos e sucos distribuídos em temperatura ambiente. Os resultados demonstraram que essa solução oferece vida útil comparável e proteção contra oxigênio e luz, em comparação com embalagens assépticas tradicionais com camada de alumínio.7
Continuamos estudando as características do material em busca de melhorias futuras na embalagem, incluindo sua interação com outros produtos envasados e formulações. Para aproveitar os benefícios da barreira à base de papel em todo o nosso portfólio de embalagens assépticas, manteremos o ritmo da inovação. Nos próximos anos, levaremos o mesmo alto nível de proteção de alimentos e prazo de validade a muitas outras soluções de embalagem e produtos envasados. Também aprimoraremos as tecnologias de selagem, aberturas e tampas, enquanto desenvolvemos e industrializamos o material de embalagem para implementação em grande escala.
Na transição para uma economia circular, é fundamental migrar de materiais de embalagem intensivos em energia, com alto teor de carbono e baseados em fontes fósseis, para alternativas de baixo carbono e renováveis. Isso nos ajudará a garantir que a distribuição em temperatura ambiente continue a oferecer longa vida útil sem refrigeração, essencial para a disponibilidade e a segurança de alimentos, sem esgotar os recursos do planeta.
É claro que a Tetra Pak sempre acreditou no potencial do papel. A alta participação de papel-cartão em nossas embalagens é o que lhes confere uma pegada de carbono menor do que outras opções de embalagem nos segmentos de laticínios e JNSD.8 Com alto desempenho em facilidade de achatamento para descarte, reciclabilidade e renovabilidade, as embalagens cartonadas são vistas como a solução mais sustentável para alimentos e bebidas.9 Além disso, oferecem a resistência, a rigidez e a robustez necessárias para proteger produtos assépticos ao longo de seu ciclo de vida prolongado.
Aproveitando todos esses benefícios, a barreira à base de papel também leva a uma estrutura de material mais simples, o que abre caminho para mais vantagens futuras para fábricas de papel e recicladores.
Isso faz parte da nossa ambição de longo prazo de desenvolver a embalagem de alimentos mais sustentável do mundo.10 Criar essa embalagem do futuro exige várias fases de testes em colaboração com clientes, fornecedores e parceiros em nossa jornada para transformar os sistemas alimentares. Continuamos totalmente comprometidos com esse objetivo, enfrentando todos os desafios, um passo de cada vez.
Tradicionalmente, as linhas de envase asséptico dependem da presença da camada de folha de alumínio, que possibilita a selagem das embalagens cartonadas. Nas soluções atuais com barreira à base de papel lançadas em Portugal e na Espanha, o sistema de selagem Tetra Pak® A3/Compact Flex foi adaptado para substituir o aquecimento por indução pela tecnologia de selagem ultrassônica. Estamos desenvolvendo soluções técnicas que permitirão que o material de embalagem com barreira à base de papel funcione em nosso portfólio atual e futuro de equipamentos. Isso será uma parte essencial da nossa contínua jornada de inovação daqui em diante.
Para aprimorar ainda mais o perfil ambiental das embalagens cartonadas para alimentos, a Tetra Pak está investindo até € 100 milhões na próxima década. Isso inclui a pesquisa e o desenvolvimento de embalagens feitas com uma estrutura de material simplificada e com maior conteúdo renovável. Nosso trabalho para inovar a barreira à base de papel para embalagens assépticas tem sido uma parte fundamental desse esforço.
Estamos agora entrando em uma fase na qual validaremos a configuração industrial para apoiar o crescimento no volume de embalagens cartonadas assépticas disponíveis com a barreira à base de papel. O desenvolvimento também continua para expandir as categorias de alimentos e bebidas que podem se beneficiar dessa inovação em materiais.
1Uma validação tecnológica externa realizada em 2023 confirmou uma vida útil de 6 a 9 meses para LDP (esse valor pode variar dependendo da formulação específica do produto).
2 Fonte: Modelo “Carton CO2 Calculator” da Tetra Pak, verificado pelo Carbon Trust, versão 11 (válido a partir de 1º de janeiro de 2025). Escopo: avaliação do ciclo de vida completo de uma embalagem para sucos Tetra Brik® Aseptic 200 Slim Leaf com polímeros à base de plantas no revestimento e barreira à base de papel, em comparação com uma embalagem Tetra Brik® Aseptic 200 Slim Leaf com camada de folha de alumínio e polímeros de origem fóssil. Geografia: dados da indústria na UE.
3Todo o papel-cartão presente nas embalagens Tetra Pak® provém de áreas manejadas de forma sustentável e livres de desmatamento, conforme certificado pelo Forest Stewardship Council™. Saiba mais: https://www.tetrapak.com/sustainability/focus-areas/biodiversity-and-nature/responsible-sourcing/paperboard
4 Fonte: Modelo “Carton CO2 Calculator” da Tetra Pak, verificado pelo Carbon Trust, versão 11 (válido a partir de 1º de janeiro de 2025). Escopo: medição do ciclo de vida completo de uma caixa para sucos Tetra Brik® Aseptic 200 Slim Leaf com polímeros à base de plantas no revestimento e barreira à base de papel, em comparação com uma embalagem Tetra Brik® Aseptic 200 Slim Leaf com camada de folha de alumínio e polímeros de origem fóssil. Geografia: dados da indústria na UE.
5Considerando uma embalagem Tetra Brik® Aseptic 200 Slim Leaf.
6 Tetra Pak® Pesquisa sobre embalagens sustentáveis 2025, compreendendo mais de 12.500 entrevistas com consumidores, com base em questionário online aplicado em 25 países.
7 O prazo de validade máximo depende da formulação de produto específica, das condições de distribuição e dos requisitos do cliente.
8 Fonte: ifeu 2020, “Avaliação comparativa do ciclo de vida das embalagens cartonadas Tetra Pak® e de sistemas alternativos de embalagem para bebidas e alimentos líquidos no mercado europeu.”
9 Tetra Pak® Pesquisa sobre embalagens sustentáveis 2025, compreendendo um total de mais de 12.500 entrevistas com consumidores com base em um questionário online aplicado em 25 países.
10 Isso significa criar embalagens totalmente feitas de materiais renováveis ou reciclados, de origem responsável, que ajudem a proteger e restaurar o clima, os recursos e a biodiversidade do planeta; contribuam para a produção e distribuição de baixo carbono; ofereçam uma solução conveniente e segura que possibilite um sistema alimentar resiliente; e sejam totalmente recicláveis.