Uma embalagem cartonada asséptica é composta por várias camadas de materiais, cada uma com funções específicas. Isso inclui o papel-cartão, que serve como base da embalagem, e camadas de polímero que, entre outras funções, protegem contra a umidade externa.
A barreira tradicionalmente consiste em uma camada muito fina de folha de alumínio – mais fina, na verdade, que a espessura de um fio de cabelo. Como o nome sugere, essa camada desempenha um papel essencial ao impedir a entrada de luz e oxigênio. Isso é necessário para manter alimentos perecíveis seguros sem refrigeração por vários meses.
Atualmente, o papel-cartão já representa cerca de 70% dos materiais usados em nossas embalagens cartonadas assépticas. Além disso, os polímeros à base de plantas estão contribuindo cada vez mais para aumentar a participação de materiais renováveis de baixo carbono nessas embalagens. Embora as propriedades do alumínio proporcionem excelente proteção contra oxigênio e luz, estamos constantemente buscando formas de aprimorar ainda mais o desempenho ambiental de nossas soluções de embalagem. Desenvolver uma alternativa a essa camada usando outros materiais tem sido, portanto, uma prioridade.
Para maximizar o conteúdo de papel e materiais renováveis em nossas embalagens cartonadas assépticas, desenvolvemos uma solução de barreira à base de papel, capaz de substituir a tradicional camada de folha de alumínio.
A barreira à base de papel é um material inovador que consiste em uma camada protetora à base de papel com um revestimento metalizado ultrafino, de escala nanométrica. Junto às outras camadas da embalagem, ela protege contra o oxigênio, a luz, a umidade e as bactérias. Isso permite que a barreira à base de papel ofereça total segurança dos alimentos e um prazo de validade comparável ao das embalagens cartonadas assépticas tradicionais com barreira de folha de alumínio2. Ao fazer isso em conjunto com polímeros à base de plantas, a barreira à base de papel permite uma redução de até 50% na pegada de carbono da embalagem asséptica1 em comparação com embalagens cartonadas assépticas tradicionais com camada de folha de alumínio e polímeros de origem fóssil.
A Tetra Pak está em uma jornada para maximizar a participação do conteúdo de papel e simplificar a estrutura do material de embalagem de nossas soluções para embalagem e, assim, reduzir a pegada ambiental global de todas as embalagens de alimentos e bebidas produzidas. A barreira à base de papel traz várias vantagens de sustentabilidade importantes para as embalagens cartonadas assépticas. Em abril de 2026, o primeiro uso dessa tecnologia com leite branco em uma embalagem cartonada de 1 litro ocorreu na Itália, e mostrou os seguintes resultados:
Máxima renovabilidade: aumento do teor total de materiais renováveis na caixa para 90%, por meio da combinação da barreira à base de papel com polímeros à base de plantas derivados da cana-de-açúcar, utilizados nos revestimentos do material de embalagem e na tampa fixa LightWing™ 30.
Redução da pegada de carbono: ao substituir a tradicional camada de folha de alumínio por uma barreira à base de papel, combinada com o uso de polímero à base de plantas derivados da cana-de-açúcar nos revestimentos do material de embalagem e na tampa, as emissões foram reduzidas em até 50%.1
De acordo com testes internos e externos realizados com embalagens que utilizam a barreira à base de papel, a nova solução demonstrou ser tão compatível quanto as atuais embalagens cartonadas Tetra Brik® Aseptic nos fluxos de reciclagem existentes. Isso significa que as embalagens cartonadas assépticas com a barreira à base de papel podem ser coletadas, separadas e recicladas da mesma forma que outras embalagens cartonadas da Tetra Pak®, onde houver infraestrutura adequada e em escala para coleta, separação e reciclagem.
Ao simplificar a estrutura da embalagem, reduzindo de três para dois os materiais principais (papel e polímeros), a barreira à base de papel aumenta o conteúdo de papel da solução para embalagem. Isso representa uma oportunidade para as infraestruturas de reciclagem, nas quais a qualidade e a eficiência da recuperação de materiais são fundamentais. Especificamente, embalagens cartonadas com um maior rendimento de fibra são mais atraentes para as usinas de reciclagem.
A Tetra Pak está comprometida em investir no desenvolvimento de embalagens com estrutura de materiais simplificada e maior conteúdo renovável. Em comparação com as embalagens cartonadas assépticas tradicionais, as embalagens com barreira à base de papel aumentam o conteúdo de papel para aproximadamente 80%3.
Ao mesmo tempo, a embalagem ainda utiliza polímeros em sua estrutura, a fim de proteger o produto da umidade externa. Trabalhamos para maximizar o conteúdo renovável das nossas embalagens cartonadas, por exemplo, usando polímeros derivados da cana-de-açúcar nos revestimentos do material de embalagem. Ao combinar esses polímeros renováveis com a barreira à base de papel, é possível aumentar a proporção de materiais renováveis para 92%4.
Acreditamos que esse tipo de solução para embalagem pode ajudar a indústria a enfrentar alguns dos desafios ambientais mais urgentes. Estes incluem o aquecimento global, as mudanças climáticas e o desperdício de alimentos, que estão entre as principais preocupações ambientais dos consumidores5. Por meio do desenvolvimento contínuo, nosso objetivo é aumentar ainda mais a participação dos materiais renováveis e reciclados e reduzir a pegada de carbono de nossas soluções de embalagem, ao mesmo tempo garantindo a segurança e a qualidade dos alimentos para melhorar o acesso global a eles.
A validação do conceito de barreira à base de papel se concentrou até agora em embalagens para produtos lácteos líquidos, à base de plantas e sucos distribuídos em temperatura ambiente. Os resultados demonstraram que essa solução oferece prazo de validade e proteção contra oxigênio e luz, comparáveis ao das embalagens assépticas tradicionais com camada de folha de alumínio.2
Continuamos estudando as características do material em busca de melhorias futuras na embalagem, incluindo sua interação com outros produtos envasados e formulações. Para aproveitar os benefícios da barreira à base de papel em todo o nosso portfólio de embalagens assépticas, manteremos o ritmo da inovação. Nos próximos anos, levaremos o mesmo alto nível de proteção de alimentos e prazo de validade a muitas outras soluções de embalagem e produtos envasados. Também aprimoraremos as tecnologias de selagem, aberturas e tampas, enquanto desenvolvemos e industrializamos o material de embalagem para implementação em grande escala.
Na transição para uma economia circular, é fundamental migrar de materiais de embalagem intensivos em energia, com alto teor de carbono e baseados em fontes fósseis, para alternativas de baixo carbono e renováveis. Isso nos ajudará a garantir que a distribuição em temperatura ambiente continue a oferecer longa vida útil sem refrigeração, essencial para a disponibilidade e a segurança de alimentos, sem esgotar os recursos do planeta.
É claro que a Tetra Pak sempre acreditou no potencial do papel. A alta proporção de papel-cartão em nossas caixas é o que lhes confere, hoje, uma pegada de carbono menor do que a de outras opções de embalagem nos segmentos de laticínios e JNSD6. Com excelente desempenho em critérios como facilidade de achatamento para descarte, reciclabilidade e renovabilidade, as embalagens cartonadas são percebidas pelos consumidores de forma mais favorável do que outras soluções para embalagem5. Além disso, oferecem a resistência, a rigidez e a robustez necessárias para proteger produtos assépticos ao longo de todo o seu ciclo de vida estendido.
Aproveitando todos esses benefícios, a barreira à base de papel também leva a uma estrutura de material mais simples, o que abre caminho para mais vantagens futuras para fábricas de papel e recicladores.
Isso faz parte da nossa ambição de longo prazo de desenvolver a embalagem de alimentos mais sustentável do mundo7. Criar essa embalagem do futuro exige várias fases de testes em colaboração com clientes, fornecedores e parceiros em nossa jornada para transformar os sistemas alimentares. Continuamos totalmente comprometidos com esse objetivo, enfrentando todos os desafios, um passo de cada vez.
Tradicionalmente, as linhas de embalagem asséptica dependem da presença da camada de folha de alumínio para realizar a vedação das embalagens cartonadas. Para a primeira solução de barreira à base de papel, lançado em Portugal, a Tetra Pak® A3/Compact Flex foi atualizada para substituir o aquecimento por indução por um sistema de selagem ultrassônico. Mais recentemente, a tecnologia de barreira à base de papel foi implementada em uma linha Tetra Pak® A3/Speed na Coreia do Sul, que foi atualizado com um sistema de selagem por aquecimento por indução de alta frequência, permitindo que o produtor adote o novo material de embalagem sem investimento de capital significativo.
Estamos desenvolvendo soluções técnicas que permitirão que o material de embalagem com barreira à base de papel funcione em nosso portfólio atual e futuro de equipamentos. Isso será uma parte essencial da nossa contínua jornada de inovação daqui em diante.
Para melhorar ainda mais o perfil ambiental das embalagens cartonadas para alimentos, a Tetra Pak tem o compromisso de investir aproximadamente 100 milhões de euros por ano até 2030 no desenvolvimento de soluções de embalagem sustentáveis. Isso inclui a criação de embalagens com estruturas de materiais simplificadas e maior teor de material renovável. Nosso trabalho para inovar a barreira à base de papel para embalagens assépticas tem sido uma parte fundamental desse esforço.
Estamos agora entrando em uma fase na qual validaremos a configuração industrial para apoiar o crescimento no volume de embalagens cartonadas assépticas disponíveis com a barreira à base de papel. O desenvolvimento também continua para expandir as categorias de alimentos e bebidas que podem se beneficiar dessa inovação em materiais.
1 Fonte: modelo versão 12 da calculadora Tetra Pak ‘Carton CO2 verificado pela Carbon Trust™ (válido desde 01/01/2026). Escopo: avaliação do ciclo de vida completo de uma embalagem Tetra Brik® Aseptic 1000 Edge LightWing™ 30 com polímeros à base de plantas no revestimento e tampa, e uma barreira à base de papel, em comparação com a mesma embalagem com camada de folha de alumínio e polímeros de origem fóssil nos revestimentos e na tampa. Geografia: Europa.
2 O prazo de validade máximo depende da formulação de produto específica, das condições de distribuição e dos requisitos do cliente.
3 Considerando uma embalagem Tetra Brik® Aseptic 200 Slim Leaf.
4 Considerando uma caixa Tetra Brik® Aseptic 200 Slim Leaf para suco, com barreira à base de papel e polímeros à base de plantas utilizados nos revestimentos do material de embalagem.
5 Pesquisa da Tetra Pak® sobre embalagens sustentáveis 2025, compreendendo um total de mais de 12.500 entrevistas com consumidores com base em um questionário online aplicado em 25 países.
6Fonte: ifeu 2020, “Comparative Life Cycle Assessment of Tetra Pak® carton packages and alternative packaging systems for beverages and liquid food on the European market”.
7 Isso significa criar embalagens totalmente feitas de materiais renováveis ou reciclados, de origem responsável, que ajudem a proteger e restaurar o clima, os recursos e a biodiversidade do planeta; contribuam para a produção e distribuição de baixo carbono; ofereçam uma solução conveniente e segura que possibilite um sistema alimentar resiliente; e sejam totalmente recicláveis.