Papo com o líder

Brasil está em transição rumo a um modelo de consumo pautado pela sustentabilidade

Há algumas décadas o tema da sustentabilidade vem ganhando espaço em todos os âmbitos da vida. À medida que os problemas sociais e ambientais decorrentes da ação humana ficam mais iminentes, consumidores exigem mais de empresas e produtos
 
De conversas com conhecidos no dia a dia a congressos entre os principais tomadores de decisão do planeta, é praticamente consenso que a sustentabilidade é uma das pautas mais importantes da contemporaneidade – se não a mais. Consumidores do mundo todo têm se tornado mais críticos e exigentes – é o que apontam as pesquisas Sustainable Packaging Consumer Research, realizada pela Tetra Pak em 2021 e que ouviu mais de 11,5 mil pessoas em 23 países, incluindo o Brasil, e Vida Saudável e Sustentável 2021, realizada Instituto Akatu e pela GlobeScan em 31 países. 
 
Contudo, ainda estamos em um momento de transição – a cobrança em relação às empresas por produtos e soluções sustentáveis existe, mas nem sempre o consumidor está disposto a pagar mais por estes atributos. Conversamos com Danilo Zorzan, Diretor de Marketing da Tetra Pak Brasil, para entender melhor os achados das pesquisas e o momento em que estamos no país.
 
De modo geral, qual é o principal achado da Sustainable Packaging Consumer Research?

A pesquisa revelou que marcas que comunicarem de maneira clara e efetiva seus feitos ambientais ganharão mais espaço entre os consumidores. Atualmente, mais da metade dos brasileiros consideram essa informação ao realizarem suas escolhas, sendo que quase a totalidade da população (90%) reconhece como muito relevantes as embalagens produzidas com materiais recicláveis e a criação de novos produtos a partir de matérias-primas recicladas. Além disso, 87% dos consumidores se dizem preocupados ou conscientes em relação a questões ambientais, enquanto apenas 5% se declaram desconectados da pauta.

A pesquisa Vida Saudável e Sustentável corrobora essa tendência dos consumidores a adotar um olhar mais crítico no que diz respeito à sustentabilidade?

Com certeza. Ela apontou que 86% dos brasileiros desejam reduzir seu impacto individual sobre o meio ambiente e a natureza – ou seja, para além das exigências feitas às empresas, governos e diferentes instituições que compõem o tecido social, os consumidores também têm feito autocrítica e atentado para as próprias escolhas e hábitos de consumo. Existe uma compreensão de que, quando se fala em sustentabilidade, não há atores isolados: a solução para os grandes desafios só pode ser encontrada com a colaboração de todos os atores da sociedade.

 

mãe e filha tomando café da manhã

Que outros dados das pesquisas se destacam?

A Sustainable Packaging Consumer Research aponta que a preferência por itens e produtos que substituem o plástico se intensificou. Termos como “carbono neutro” e “material de origem responsável” têm ganhado relevância se explicados de maneira rápida e didática para o consumidor. Já a Vida Saudável e Sustentável indica que, principalmente no pós-pandemia, os consumidores brasileiros esperam das empresas acesso a produtos sustentáveis de baixo custo e informações sobre estes atributos sustentáveis.

O que esses achados representam para a indústria de alimentos e bebidas?

Eles representam uma oportunidade para os diferentes atores da indústria que podem – e devem – tornar suas cadeias de produção cada vez mais sustentáveis para atender a uma demanda planetária, e que passam, com esse valor agregado aos seus produtos, a atender também às preferências de seus consumidores. Contudo, apesar dessa nova demanda, ainda estamos numa fase de transição no Brasil, pois nem sempre os consumidores que pressionam empresas por produtos mais sustentáveis estão dispostos a pagar mais por eles. Essa questão representa um dilema para a indústria, visto que, no curto prazo, adaptações sustentáveis de produtos e soluções são custosas, pois exigem transformações grandes em linhas atuais de produção – é um processo gradativo, que não acontece da noite para o dia e que tende a impactar o preço do produto final. Obviamente, o desafio da indústria e consequentemente dos fabricantes no sentido de criar valor em seus produtos continua vivo, para que consumidores não só os entendam como eventualmente estejam dispostos a pagar algo a mais por eles.

Qual seria a sua palavra final para fabricantes de alimentos e bebidas em dúvida sobre investir ou não em sustentabilidade?

O caminho rumo à sustentabilidade não tem volta e os dados das pesquisas citadas auxiliam na tomada de decisão de marcas que planejam contribuir em temas urgentes, como a pandemia e a crise climática, impulsionar a adoção de estilos de vida mais sustentáveis por parte dos consumidores e construir uma relação de confiança e compromisso com seus stakeholders. Conforme a demanda pela sustentabilidade cresce, a indústria será cada vez mais pressionada por diferentes atores – consumidores, ONGs e até governos – para seguir este caminho. Mas, como mencionei, ainda estamos em transição.

 

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